Percebe-se que a natureza do cinema de nicho tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Talvez nem tenha crescido, e sim dada mais importância para a mesma. Free fall é um filme de amor, não é um filme de romance LGBT. É um filme de amor. Ele joga fora o amor romântico de Hollywood e trás o puro sentimento. Um filme independente alemão de 2013, onde se trata da historia de um casal que se forma pelo embate de dois alunos da academia de policiais da Alemanha. Marc é nosso protagonista casado, filho exemplar, padrão de “homem”. Kay é nosso antagonista, focado, persistente, rebelde. Ele é um antagonista, mas não posso dizer a que, pois você mesmo tem que ver para notar.
O enredo vem montando tudo de uma forma curiosa. O ambiente da família de Marc é sempre relacionado à esperança cega no filho/marido. Kay vira um escape, ele acaba se tornando inicialmente um alivio de tensão sexual, e não um amante. Marc para Kay inicialmente é sexo fácil, mas a amizade dos dois começa a deslanchar. Convites são feitos, olhares são notados e é ai que a historia realmente começa.
O bom de Free Fall é o relacionamento dos dois no meio em que vivem. Em plena Alemanha que ainda é um país muito preconceituoso, muito machista. Marc se vê em um empasse entre em ser o que todos esperam e a desconstrução para poder ficar com o outro. É por isso que falo que é um filme de amor, mas é um amor mais intimista. Os atores Hanno Koffler – Marc e Max Riemelt – Kay (Wolfgang de Sense8) fazem com perfeição um bom casal escondido e com problemas, pois são um casal problemático.
Amor é como uma sementinha de feijão que plantamos no primário. Se não cuida morre, se sufocar morre e é desse jeito que os fatos vão se desenvolvendo. Entre trancos e barrancos a historia enfrenta o preconceito da família, o preconceito no trabalho, a falta de força pra amar e a espera. Inicialmente pelo sexo, o desenvolver pelo companheirismo e medo e finaliza em um estilo torto de libertação. Free fall não é um filme apenas de nicho, ele é um filme pra quem gosta de sair da romantização hollywoodiana para algo mais singelo.
O filme é independente e está na Netflix para quem quiser aprecia-lo. Ganhador de inúmeros prêmios (cinco deles de melhor diretor) e atualmente está sendo feita uma catarse para a feitura de sua continuação e que pelo amor tenha. É um longa para você pensar e raciocinar no amor e no convívio família, seu problema é em como se conta os fatos…tem um estilo de cortes estranho e tem que ser visto com cautela para notar todos os fatos. Queda livre (seu nome no Brasil) é um bom filme contado de maneira torta para pessoas tortas que cansaram da paixão sem problemas, sem discussões. É para aqueles que gostam do real. Que caem em queda livre para uma boa metragem. É um filme de amor real.
Um beijo dos cabelos inconstantes.
Nota: 7,8