Livro da vez: Sem tempo pra sentir medo

Quando se nasce um livro ele deve passar alguma coisa para o leitor, mesmo que seja entretenimento barato. A literatura brasileira tem uma marca muito forte por demonstrar nossa própria realidade e nossos problemas sociais, assim como “O cortiço” retratava os problemas das moradias no fim do século 19 “Sem tempo pra sentir medo” retrata a realidade de Samambaia, cidade satélite de Brasília no qual eu mesmo resido e me senti tocado pela visão do Prof. Carlos Simões dos Santos em nos mostrar essa historia.  

O livro pode ate parecer um tanto teen no inicio, mas você percebe que é tudo proposital, ele trata à narrativa se botando na pele de Beto (nosso protagonista) e tudo o que ele passa. Uma casa no caos, os pais se afundando no álcool e dividas o começo da descoberta do amor e a aparição dos malditos hormônios que tanto nos fazem ficar problemáticos na fase da adolescência. Assim tudo é mais que bem pensado para nos ambientar no enredo, somos um companheiro silencioso que tudo pode ver, sentindo as angustias de uma família desestruturada, aquele frio na barriga de um primeiro amor, a vontade de estapear os personagens algumas vezes.  

Com personagens bem estruturados e que todos nos conhecemos muito bem na fase escolar como as meninas que tudo sabiam (parece até o diabo) e as más companhias, essas que acabam por demonstrar a realidade nua e crua das cidades pobres/com histórico de criminalidade alta que pode vir a destruir toda a segurança que pensávamos em ter na infância e em um lugar onde o medo fala mais alto que o apreço pela justiça (nada muito anormal) e que brigas entre gangues e bandidos/policiais são constantes e onde uma criança não se vê amparada não é anormal ela ser levada a ser um criminoso futuro, afinal quem a leva pra um amanhã se o seu futuro parece vir da mediocridade ou de um cano de bala?  

Mas ai aparece uma figura constante no livro que eu adoro. O professor. Esse que muitas vezes sai do seu papel de instrutor para realmente educar os alunos, tentar guia-los. O professor muitas vezes é a pessoa mais importante da época escolar, muitas vezes chato ou se importando demais sobre o que faz, mas ele faz isso por preocupação, por apreço. Beto se vê varias horas conversando com uma professora ou se lembrando de alguma para ajuda-lo. Isso é muito importante! Um ser muito desvalorizado pelo nosso poder politico que efetivamente foi quem instruiu todos ali no poder, é o cúmulo da hipocrisia. 

Pra finalizar falo a todos que se interessam por um livro com aqueles alívios cômicos maravilhosos de sala de aula, como as pegadinhas (quando leves e saudáveis) e as zoeiras pelos nomes engraçados. Da pra rir muito e ele também demonstra uma realidade que queima e derruba um pouco desse muro que muitos têm e é chamado de “cegueira social”. Eu recomendo “Sem tempo pra sentir medo” do Professor Carlos Simões dos santos, pois todos merecem e tem de ter uma visão sobre os problemas da criminalidade, da pobreza e da situação da real sociedade. A massa que tanto trabalha pra ter uma vida com conforto e bondade e nossas crianças que se veem sem ninguém para ajuda-las e acabam indo para caminhos obscuros.  

Saúdo a todos os professores que já passaram por minha vida e que tanto me ajudaram e um salve para o criador desse tão maravilhoso livro.

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