Elis – uma homenagem mais que merecida

Talvez possa ser a mais corajosa bio-filmografia  já feita sobre uma figura da música brasileira. Talvez a mais icônica das cantoras que já passou por aqui. Elis estreou no dia 24 de novembro de 2016 e foi o que posso chamar de agradável presente. Dirigido por Hugo Prata e protagonizado pela merecidamente incrível Andréia Horta. Este foi o filme que mostrou talvez a maior cantora a pisar no nosso solo.  

O longa começa de forma branda como se ela não fosse a arrastadora de multidões que nasceu para ser. Ainda não era pros outros, mas para si era mais fogo que toda a brasa calma da bossa nova (para minha defesa eu adoro bossa nova). A vinda ao Rio de Janeiro de sua terra natal ao sul do país sem dinheiro, mas com audácia e sem ter desenvoltura, mas com calor na voz ela tentou ao máximo. Elis viveu suas primeiras fases como a mulher que era, sempre a frente do seu tempo, ao menos naquele tempo retrograda que passamos.  

Tudo é contado de forma muito intensa do meio a frente. Tudo vira intenso e rápido como a vida da pimentinha. Sua passagem pelo fino da bossa com Jair Rodrigues a sua focalizada saída para o solo e o auge. Ela foi fogo no amor também, talvez até demais em seus dois casamentos regados de paixão e complicações, mas que trouxeram boas conjunturas e lhe rendeu três filhos. Elis foi tudo, inclusive uma boa mãe. 

Uma carreira cheia de situações politicas também, uma que me marcou muito foi a sua chamada a depor aos militares sobre sua declamação em uma entrevista internacional que chamou os lideres do país de “gorilas” na época (não vou mentir, adorei) e que resultou no seu canto nas olimpíadas militares, algo que levou os opositores a ditadura a revolta, mas naquela época nem ela escapava da represália militar. Era uma época de luta, do canto da revolta. Ano em que Chico Buarque, Gil e Milton Nascimento eram descartes como compositores e não tinham a devida importância que lhes era merecida.  

Finalizando esta canção de ciclos intensos o filme não é focalizado na carreira, não é algo que você imagina ser preciso citar os grandes feitos e grandes parcerias, isso não precisa. É um longa sobre a mulher Elis, sobre a amante da liberdade que só queria cantar e sua queda da depressão e drogas. É o ícone da nossa historia musical e talvez até mesmo politica, sendo sempre muito engajada no assunto. Elis nos lavou com as águas de março e ao ver o filme denotou a importância da música na liberdade e luta. Foi o longa que citou poderosos necessários para a musicalidade nacional como Gal costa, Chico Buarque, a jovem guarda e nossa amada Elis Regina. Se você parar para raciocinar é a metragem do passado mais atual que tive o prazer de ver em um plano de fundo.  

Será que ainda vivemos como nossos pais?  

Nota: 9,5  

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